Quando se fala de tendências, é importante ter em mente que elas acontecem muito antes de percebermos. São movimentos sutis, silenciosos e recorrentes, entre diversos grupos e em diversos locais ao mesmo tempo. E elas não são, propriamente, movimentos sequenciais, mas sim concomitantes. As tendências convivem, alimentam e se alimentam daquilo que está em movimento. Elas se combinam, se fundem, se misturam, até formar o que é novo.

A inovação vem muitas vezes das combinações. As possibilidades crescentemente múltiplas de composição, entre materiais, entre espaços indoor e outdoor, entre cartelas de cores e texturas variadas, entre tecnologia e artesanal, entre a nostalgia e o high tech, entre o raw (bruto) e o refinado, entre a leveza e o volume, resultaram nesta proposta de um morar em que a inovação esteve na abordagem dos detalhes, próprios, originais, sensoriais, sensitivos:

Materiais em livre composição 

A composição de materiais, com ênfase no trio madeira-metal-pedra, ganha cada vez mais espaço na decoração. Porém, há muito de novo aí, pois a cada ano as combinações ficam mais sofisticadas. Por exemplo, nos lançamentos da Formitalia, com uma aplicação complexa de materiais, mas que resulta em um ambiente suave e envolvente.

Decoração Cenográfica

A decoração se direciona para o aconchego de atmosferas tranquilas, em que a beleza aumenta a cada olhar, na percepção da harmonia da composição de cada detalhe em interação. Trata-se também de um décor cenográfico, em que a iluminação tem importante papel. Peças como a luminária Mariposa, de Marcel Wanders para Roche Bobois, realçam o potencial ornamental da arquitetura e do design de interiores com discrição e refinamento.

Metal além do metal 

A investigação de materiais vai além da matéria pura, com propostas em design de superfície que trazem a surpresa como um importante elemento. Em seus décors para 2018, distribuídos em diversos expositores da Design Week de Milão, a Interprint propõe criações como o padrão Aurora: uma chapa de aço galvanizado com efeitos metálicos holográficos que lembram as luzes da Aurora Boreal. Materialidade inteligente, também disponível em aspecto de bronze.

A grande beleza

Uma das mais envolventes faces do belo está na sutileza da imperfeição, naqueles detalhes que fazem com que algo seja tão particular e marcante. A estética do imperfeito, conceito captado pela Interprint, faz um contraponto à perfeição das tecnologias digitais que muitas vezes uniformiza. Tal tendência se reflete nas sutilezas da decoração, com camas arrumadas de forma mais descontraída, por exemplo. Na foto, a cama Park Uno, de Carlo Colombo para Poliform.

Revisitado

Peças que eram muito utilizadas no passado, como cristaleiras e penteadeiras, ganham uma releitura atualizada e cheia de charme. Elas mantêm sua aura de glamour, mas com linhas finas e elegantes, sempre com espelhos iluminados, usados também como elemento de composição do design. Na foto, o modelo Pebble, do Studio Lanzavecchia + Wai para Living Divani.